sexta-feira, 21 de julho de 2017

História trágico-marítima (CCXXVII)


O encalhe e perda do rebocador “Aghios Georgios II”

Um cargueiro de 4.000 toneladas com as luzes acesas e
sem sinal algum de vida a bordo encalhou na Ericeira e os
habitantes da vila assistem surpreendidos ao naufrágio.
Ericeira, 1 (às 3 horas e 30 minutos) – Cerca das 2 horas, alguns habitantes desta localidade viram, com grande surpresa, um cargueiro de umas 4.000 toneladas aproximar-se, com todas as luzes acesas, vindo a encalhar a uns vinte metros da areia desta praia, e a uns dez metros da muralha do hotel da Ericeira.
Assestando luzes de automóveis, sobre o barco, lançando foguetes e disparando pistolas, foi tentado chamar a atenção da tripulação, mas esta, até agora, não respondeu. É de supôr, por isso, que tenha abandonado o barco, ou que qualquer coisa de muito extraordinário se tenha passado a bordo.
Pela maneira como as luzes decrescem de intensidade, é de admitir a hipótese das caldeiras estarem apagadas ou a diminuir a sua pressão. De qualquer modo, o barco, dados o local onde se encontra e a grande rebentação do mar, deve considerar-se perdido, pois é varrido, constantemente, de um lado ao outro, por vagas alterosas.
Quanto à tripulação, se o abandonou e navega em lanchas, corre grande perigo de naufragar. Ninguém por aqui acredita, que se trate de um barco português, pois só um piloto que desconheça completamente a nossa costa cometeria o erro de se aproximar tanto de terra, nesta zona. É no entanto possível, que o piloto, dado o facto do hotel da Ericeira se encontrar fortemente iluminado, por motivo da festa da passagem do ano, se tenha convencido que estava em Cascais.
Enfim, fazem-se muitas conjecturas, mas nada se pode afirmar concretamente senão isto: o barco encontra-se à mercê das vagas, ignora-se o paradeiro da tripulação e não há aqui qualquer meio de salvamento, que lhes possa acudir.
(In jornal “O Século”, sábado, 1 de Janeiro de 1949)

Imagem do encalhe do rebocador publicada no jornal

Não foram encontradas as características do rebocador de alto-mar “Aghios Georgios II”, encalhado e desfeito pelo mar na Ericeira. Por tratar-se de navio idêntico ao rebocador sinistrado, eis as características do “Marigo Matsa”, como segue:

Armador: Loucas Matsas & Sons, Pireu, Grécia
Nº Oficial: N/d - Iic: S.V.A.A. - Porto de registo: Pireu
Construtor: L. Smit & Zoon, Kinderdijk, Holanda, 1900
ex “Poolzee”, N.V.L. Smit & Co., Sleepdienst, Holanda
Arqueação: Tab 304,00 tons - Tal -,- tons
Dimensões: Pp 40,97 mts - Boca 8,38 mts - Pontal 3,86 mts
Propulsão: Maats. de Schelde, 1:Te - 3:Ci - 141 Nhp
Equipagem: 15 tripulantes

O mar está a destruir o barco que encalhou na Ericeira e que foi
abandonado, devido ao temporal, pelo navio que o rebocava
Um pequeno navio encalhou na praia da Ericeira, na madrugada de sábado, facto que provocou ali grande alarme, pois uma parte da população, por ser noite de festa, encontrava-se ainda a pé. Foi do hotel da Ericeira onde, entre outros, se encontrava o ex-rei Humberto de Itália e o sr. engº. Aulânio Lobo, da Sociedade Geral de Transportes, seu filho Artur Lobo e o médico municipal, dr. Franco, que primeiramente notaram o sinistro e logo tomaram providências para socorrerem o barco e os seus tripulantes, pois aqueles senhores avisaram de imediato as autoridades.
Verificaram, porém, que o navio inicialmente pensado ser um vapor de grande tonelagem, não tinha ninguém a bordo, o que levou a crer que se tratasse de um barco que vinha a reboque de outro, tanto mais que todas as luzes estavam acesas, o que está previsto pelo regulamento marítimo, sempre que um navio navega a reboque e sem tripulação.
De terra fizeram sinais luminosos, desfecharam tiros e lançaram foguetes, para atrair a atenção de possíveis tripulantes. Mas de bordo não veio nenhum sinal de vida, e o navio, batido pelas vagas, foi atirado de encontro às rochas e ao areal da praia de banhos, no local denominado “Lago da Baleia”.
De manhã, na baixa-mar, verificaram que o barco – um rebocador de alto-mar de nacionalidade grega – tinha um grande rombo na proa, no ponto em que assentou nos rochedos. Como o navio estivesse apenas a 20 metros da praia e a 10 da muralha do hotel e o mar o consentisse, de manhã foram a bordo os srs. Domingos Leitão Correia, delegado marítimo; João de Deus Oliveira, comandante dos bombeiros locais, que acorreram logo que o navio encalhou; o cabo-de-mar Luís Álvaro Lopes, os quais verificaram que a bordo apenas se encontrava um gato, que trouxeram para terra e que as portas dos beliches estavam fechadas e seladas, sinais evidentes que o navio vinha a reboque e em regime de despacho.
De facto na manhã de ante-ontem entrou no Tejo o rebocador de alto-mar “Marigo Matsa”, de 309 toneladas, da praça do Pireu, com quinze homens de tripulação, sob o comando de Demetrios Polemis, consignado à casa Pinto Basto.
Foi percebido então o que se passara. Este rebocador, que procedia de Southampton, trazia a reboque outro rebocador de alto-mar da mesma tonelagem, o “Aghios Georgios II”, que fora adquirido na Inglaterra, onde tinha o nome de “Trinit” (?) e se destinava ao Pireu, onde iria ser reconstruído, visto tratar-se de um barco já velho.
Os dois rebocadores fizeram escala por Vigo, para o “Marigo Matsa” ser reabastecido e substituir alguns tripulantes. Estes são de nacionalidade inglesa, grega e mexicana. O rebocador com o outro a reboque saíram de Vigo com destino a Gibraltar, onde fariam escala. O “Aghios Georgios II” seguia sem tripulação e, como é da lei marítima, um dispositivo de relojoaria, próprio para o efeito, acendia as luzes a determinada hora e apagava-as ao nascer do dia.
O encalhe do “Aghios Georgios II”
O temporal obrigou o comandante do “Marigo Matsa”
a cortar o cabo que o prendia ao outro rebocador
Ao norte das Berlengas, o temporal assumiu tais proporções, que o “Marigo Matsa” começou a estar em perigo. As vagas cobriam o rebocador, que dificilmente conseguia avançar açoitado pelo mar e pelo vento. Foi então que o comandante, como é de uso ser feito em tais emergências, mandou cortar o cabo que o prendia ao navio rebocado, abandonando-o aos caprichos do mar. Ao mesmo tempo fez um aviso à navegação para se precaver naquelas paragens – a seis milhas das Berlengas – contra o casco abandonado.
O “Marigo Matsa” veio então para Lisboa, onde o seu
comandante deu parte do sinistro às autoridades marítimas.
Atraídas pela notícia centenas de pessoas foram até à Ericeira, para admirar o rebocador encalhado. Este considera-se perdido, não só pelo local onde encalhou, mas também pelos danos que nele está a causar o mar tempestuoso.
Já começaram a dar à praia alguns utensílios de bordo e apareceu no areal um cachorro morto, que se crê ter estado a bordo do barco sinistrado. Este como não trazia tripulantes, também não tinha a bordo roupas ou quaisquer outros objectos usados por pessoas.
Ontem estiveram na Ericeira o comandante do “Marigo Matsa” e o agente do Lloyds, a fim de verificarem a posição do barco. Muita gente dos arredores também afluiu ontem ao local.
(In jornal “O Século”, segunda-feira, 3 de Janeiro de 1949)

quinta-feira, 20 de julho de 2017

História trágico-marítima (CCXXVI)


O encalhe e subsequente naufrágio do vapor "Henry Mory"

Em Peniche
Encalhou um vapor francês de carga
Devido ao nevoeiro que caiu sobre a costa, encalhou, esta manhã, pelas 7 horas, em frente do Forte da Luz, em Peniche, o vapor de carga francês “Henry Mory”.
Levava 30 homens de tripulação e bastante carga.
O comandante do navio, com os recursos de que dispõe a bordo, conta desencalhá-lo de madrugada. Para o local seguiu o vapor-rebocador “Patrão Lopes”, para lhe prestar socorros.
Informam de Peniche, que de bordo do navio francês “Henry Mory”, ali encalhado, foi tirado para a praia, em batelões, o carvão que transporta, esperando ser safo esta madrugada.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 7 de Outubro de 1931)

Imagem do encalhe do vapor "Henry Mory"
Foto da colecção do Sr. João Paulo Leitão
Publicada na página do facebook «Eu sou de Peniche!»

Características do vapor francês “Henry Mory”
Armador: Union Indust. & Maritime et Soc. Française d’Armament
Operador: S.A. de Navegation “Les Armateurs Français”, Rouen
Nº Oficial: N/d - Iic: O.U.G.Y. - Porto de registo: Rouen
Construtor: Ateliers & Chantiers de Bretagne, Nantes, 1920
ex “Martine” - proprietário desconhecido
ex “Thorium”, Société Industrielle de Combustibles, Nantes
Arqueação: Tab 2.564,00 tons - Tal 1.517,00 tons
Dimensões: Pp 89,15 mts - Boca 13,23 mts - Pontal 5,97 mts
Propulsão: Turbina a vapor do construtor
Equipagem: 30 tripulantes

O encalhe do vapor “Henry Mory”
A fim de proceder a trabalhos que se relacionam com o encalhe do navio de carga francês “Henry Mory”, que ante-ontem, devido ao forte nevoeiro, encalhou nuns rochedos próximo de Peniche, seguiu hoje, de automóvel, para ali, o sr. Henry, chefe do armamento da empresa proprietária do referido navio, com cujo comandante conferenciou.
Às 14 horas apenas se avistava parte dos mastros do “Henry Mory”, que se acha adornado a um dos bordos.
(In jornal “Comércio do Porto”, sexta-feira, 9 de Outubro de 1931)

terça-feira, 18 de julho de 2017

Leixões na rota do turismo! (11/2017)


Na primeira quinzena de Julho

De acordo com a informação prestada no post anterior, apenas quatro navios de passageiros estiveram de visita ao porto neste período. Há a sublinhar a primeira escala em porto do navio "Island Sky", cuja presença tem sido notada com regularidade nos portos do sul do país. Porque os navios de guerra são igualmente atractivos, merece do mesmo modo ser realçada a primeira visita ao porto do navio de assalto anfíbio espanhol "Castilla", principalmente pela novidade que este tipo de navios apresenta e representa.

No dia 3, o navio de passageiros "Oriana"
Chegou de Southampton, tendo saído com destino a Gibraltar

No dia 5, o navio de passageiros "Silver Spirit"
Chegou procedente da Corunha, seguindo viagem para Lisboa

No dia 9, o navio de passageiros "Island Sky"
Chegou procedente de Lisboa, tendo saído com destino à Corunha

No dia 12, o navio de passageiros "Tui Discovery 2"
Chegou procedente de Vigo, tendo também saído para Lisboa

O navio LPD L52 "Castilla"
O navio de assalto anfíbio L52 “Castilla” é a segunda unidade da classe L51 “Galicia”. Foi construído nos estaleiros Bazan, em Ferrol del Caudillo. Encontra-se na situação de serviço activo desde 26 de Junho de 2000. Tem 13.815 toneladas de deslocamento, 160 metros de comprimento, 25 metros de boca e 16,8 metros de pontal. A propulsão assegura uma velocidade de 20 nós e tem capacidade para percorrer 6.000 milhas náuticas, à velocidade máxima de 12 nós. A guarnição é composta por 190 tripulantes.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

História trágico-marítima (CCXXV)


Navio novo
Deve ser hoje lançado à água, em Gaia, o lugre “Luctador”, de 700 toneladas, que acaba de ser construído nos estaleiros do Sr. Alfredo de Fonseca Barros.
(In jornal “Comércio do Porto”, quinta, 29 de Novembro de 1917)

Na realidade este lugre não foi construído, mas sim reconstruído, sobre o cavername do brigue norueguês “Anna”, que havia sido desmastreado em 1910, para ser adaptado a servir de laita (termo aportuguesado do inglês “lighter”), nos portos do Douro e Leixões, devido à enorme destruição de diversos navios mercantes, fragatas e batelões de carga, durante a grande cheia no rio, que teve lugar entre os dias 22 a 24 de Dezembro de 1909. Apresentava à data as seguintes características: 

Brigue norueguês “Anna”
Armador: A.J. & C. Amundsen, Sarpsborg, Noruega
Nº Oficial: N/d - Iic: N/d - Porto de registo: Sarpsborg
Construtor: N/d, Sannesand, Noruega, Setembro de 1870
Arqueação: Tab 219,00 tons - Tal 199,00 tons
Dimensões: Pp 34,26 mts - Boca 7,45 mts - Pontal 3,66 mts
Propulsão: À vela

Gravura de galera não identificada em situação de naufrágio
Desenho de Charles Dixon - (Ilustração Portuguesa Nº736 - 29.3.1920)
Sem correspondência ao texto

Lugre portugues "Luctador"
Não há informação completa sobre as características do lugre após a reconstrução, excepto em relação aos novos proprietários, identificados por Alfredo da Fonseca Barros em sociedade com a Companhia Agrícola e Comercial dos Vinhos do Porto.
Esteve matriculado na Capitania do Douro, com o nº de registo B-105, com as letras H.L.U.T., do Código  Internacional de Sinais e arqueava 314,00 toneladas liquidas.

O lugre “Luctador” naufragou no dia 10 de Agosto de 1918, por motivo de incêndio a bordo, quando se encontrava a cerca de 110 milhas náuticas do porto de São Luiz do Maranhão, Brasil, em viagem para o Porto. Não há notícia sobre os náufragos.
(In jornal “Comércio do Porto”, quarta-feira, 21 de Agosto de 1918)

quinta-feira, 13 de julho de 2017

História trágico-marítima (CCXXIV)


Com um rombo no porão atracou no porto de Leixões o navio
de carga “Borba”, após colidir com rochedos na Boa Nova

Às 20 horas de ontem (04Jan49) chegou a Leixões o vapor “Borba”, de 7.000 toneladas, pertencente à Sociedade Geral de Transportes, com 6.000 toneladas de carvão para a firma lisbonense Harold, Lda., e destinado à C.P.
Recentemente lançado à água em Inglaterra, pois foi construído nos estaleiros de Sunderland, o “Borba” fazia a sua primeira viagem. Logo à partida daquele país suportou um violento temporal, aguentando-se magnificamente.
Ao chegar a Leixões, como o mar estava agitado e era grande a cerração, o comandante, sr. José Matos Neves, verificando que não podia entrar no porto, pediu piloto, tendo-lhe sido respondido, da respectiva corporação, que o prático da barra só podia dar entrada ao navio às oito horas.
Cerca das quatro horas, porém, o “Borba” aproximou-se demasiadamente da terra devido à agitação do oceano (a) e foi bater contra os rochedos da Boa Nova. Com um rombo no porão Nº, o navio começou logo a ficar inundado. Vendo-se impotente para esgotar a água com os recursos de que dispunha, a tripulação fez, durante três horas, repetidos toques de sirene, pedindo socorros, mas sem resultado.
Então às 7 horas, verificando que os pilotos não acorriam ao seu chamamento, o capitão do “Borba” resolveu entrar no porto com diligente sucesso.

Foto do navio "Borba" em Leixões
Imagem da Fotomar - Matosinhos

Características do navio “Borba”
Armador: Soc. Geral de Comércio, Indústria e Transportes, Lisboa
Nº Oficial: H-378 - Iic: C.S.I.Y. - Registo: Lisboa, 25.Abril.1949 (?)
Construtor: Wm. Doxford & Sons, Ltd., Sunderland, Inglaterra, 1948
Arqueação: Tab 4.457,25 tons - Tal 2.620,93 tons - Pm 7.145 tons
Dimensões: Ff 129,66 mts - Pp 123,99 mts - Bc 16,38 mts - Ptl 7,04 mts
Propulsão: Do construtor - 1:Di - 4:Ci - 3.800 Ihp - 13,5 m/h
Equipagem: 23 tripulantes

Solicitados os socorros dos Bombeiros Voluntários de Matosinhos-Leça, compareceram estes, a bordo do navio com duas moto-bombas, e iniciaram o trabalho de esgotamento da água, enquanto os tripulantes procediam à rápida descarga do navio. Mas as duas bombas não conseguiam esgotar a água entrada a bordo e, então, foi pedido o auxílio dos Bombeiros Voluntários Portuenses, que acudiram rapidamente com uma moto-bomba que tira 3.000 litros de água por minuto. Simultaneamente, um mergulhador desceu para avaliar a extensão do rombo.
Logo que o “Borba” esteja vazio será reparado, visto não ser aconselhável a sua partida para Lisboa com o rombo produzido pelo choque.
Assim que tiveram conhecimento do sinistro, vieram de Lisboa, num avião especial, os srs. engº Aulânio Lobo, comandante Otero Ferreira e engº.s Rodrigues dos Santos e Sousa Mendes, respectivamente, administrador, secretário-geral, director dos serviços técnicos e engenheiro dos estaleiros da C.U.F. Ao mesmo tempo vieram, em camionetas, duas bombas para serem utilizadas no esgotamento da água, se fosse necessário.
O “Borba” trouxe de Inglaterra 23 homens, incluindo o comandante; o imediato, sr. Manuel Piorro, de Buarcos; 2º piloto, sr. António Ribeiro da Silva, de Miranda do Corvo, e 1º maquinista, sr. José Júlio Duarte, de Lisboa. Como passageiro vinha o sr. Henrique Duarte, superintendente de máquinas da Sociedade Geral de Transportes.
O “Borba” é a terceira unidade de uma série de quatro navios do mesmo tipo, que a Sociedade Geral de Transportes mandou construir em Sunderland.
Ao fim da tarde, o “Borba”, aliviado de parte da carga, atracou à doca velha, em Leixões. No local compareceram as corporações dos Bombeiros Voluntários Portuenses e de Leixões, a fim de, com as suas moto-bombas, esgotarem a água dos porões inundados. Os trabalhos prosseguiram durante a noite e devem prolongar-se até de madrugada.
(In jornal “O Século”, quinta-feira, 6 de Janeiro de 1949)

(a) Numa situação de forte agitação marítima, por norma mais agressiva próximo da linha de costa, os navios devem afastar-se para o largo, onde encontram ondulações passiveis de assegurar melhores níveis de navegabilidade e segurança.
(?) De acordo com a Lista dos navios mercantes nacionais, referida a 1 de Julho de 1949, constata-se que o navio efectuou transporte de mercadorias, abriu um rombo, de acordo com a notícia supra, e muito provavelmente completou a necessária reparação, antes de ter realizado a respectiva matricula na Capitania de Lisboa!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Navios consagrados pela história


O navio de passageiros italiano "Rex"

Em Itália
Um transatlântico assombroso

Imagem do lançamento à água do navio "Rex"
Foto de autor desconhecido
Colecção Pinterest - Todd Neitring

Foi lançado à água, pela sociedade italiana Ansaldo, em Sestri-Ponente, um dos maiores paquetes que o mundo tem visto. É o “Rex”.
Ao acto de lançamento, que assumiu foros de acontecimento sensacional, assistiram os reis de Itália e uma multidão espantosa. Na verdade, houve razão para tudo isso. O “Rex” fica sendo talvez o primeiro paquete do Atlântico.

Cartão postal do navio com as datas da conquista da flamula azul
Colecção Pinterest - Ted Tidious

É um gigante assombroso, cujas proporções, aspecto, velocidade, conforto e segurança são, por si sós, uma afirmação magnífica do que pode o engenho humano. Calcule-se: As dimensões do seu elegante casco são de 268,25 metros de comprimento e 31 de largura, tendo uma altura, desde a quilha à ponte de comando 36,50 metros. É vapor de 50.000 toneladas, tem onze cobertas e quinze porões estanques!
Bastava dizer isto para aos olhos de quem sabe o que é um vapor, o “Rex” aparecer logo como um gigante fabuloso!

Poster da empresa armadora, Génova-Nova York em 6 dias e meio
Colecção Pinterest - Anna Hall

Características do navio de passageiros “Rex”
Armador: Itália Flotte Reunite, Génova, Itália
(Navegazione Generale, Cosulich Line e Lloyd Sabaudo)
Nº Oficial: N/d - Iic: P.E.L.O. - Porto de registo: Génova
Construtor: S.A. Ansaldo, Sestri Ponente, Génova, 09-1932
Arqueação: Tab 51.062,00 tons - Tal 30.823,00 tons
Dimensões: Ff 268,15 mts - Pp 254,13 mts - Bc 29,57 mts - Ptl 9,32 mts
Propulsão: Ansaldo - 12:Tv - 22.082 Nhp - 4 hélices - 27 m/h

Postal ilustrado da empresa armadora do navio
Minha colecção

Mas há mais: Este vapor deve atingir uma velocidade de 27 milhas por hora, qualquer coisa como 50 km, - de modo que, assim, será capaz de chegar da Itália a Nova York em 7 dias!
Vai ser esse, mesmo, o seu destino. Estabelecer, entre a Itália e os Estados Unidos uma linha rápida, - podendo o monstro levar, dentro de si, o número espantoso de 2.000 passageiros, ou mais, distribuídos por quatro classes distintas!

Pintura do navio "Rex" a navegar da autoria de Robert LLoyd
Colecção Pinterest

Como dados curiosos do novo “Rex” é possível adiantar que, na sua construção, entraram nada menos de 28.000 toneladas de materiais metálicos; que o casco pesa mais de 200 toneladas, uma caldeira completa, 180 toneladas; uma turbina de baixa pressão, 80, e que toda a aparelhagem de governo pesa umas 100 toneladas, pesando 160 toneladas as âncoras e as correntes!

Foto do navio com registo da firma detentora da mesma
Colecção Pinterest

As hélices têm 5 metros de diâmetro. E a superfície de conjunto dos alojamentos, salões e corredores é de uns 40.000 metros quadrados!
Na construção do “Rex”, ocuparam-se, trabalhando ao mesmo tempo, mais de 2.000 operários! Tal é, em breves palavras, o arcaboiço deste monstro que a Itália acaba de ver concluído nos seus estaleiros – para assombro do mundo e consolação do génio humano!
Que Deus abençoe o “Rex” – em nome e proveito dos que têm de andar pelas águas do mar!
(In jornal “Comércio do Porto”, quinta-feira, 8 de Outubro de 1931)

Foto do ataque ao navio da Força Aérea Inglesa
Colecção Wikipedia

Baía de Capo d'Istria, Triestre, Itália, 8 de Setembro de 1944.
O paquete italiano "Rex" da Itália Line, apesar da tentativa de ser mantido escondido durante a II Grande Guerra Mundial, não conseguiu evitar ser avistado por aviões ingleses da R.A.F., que procederam ao bombardeamento, até à sua completa destruição.
A imagem que documenta o desenrolar do ataque aéreo, regista um lamentável episódio provocado pela irracionalidade governativa de países europeus em conflito, outro momento trágico para lembrar, na história contemporânea das nações.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Leixões na rota do turismo (10/2017)


Na última semana de Junho

Apenas um navio de passageiros esteve de visita ao porto, no período correspondente à última semana deste mês. Antecipamos que o mês de Julho promete da mesma forma ser parco no número de escalas, com diversos navios conhecidos, de regresso a Leixões.

No dia 27, o navios de passageiros "Saga Pearl II"
Tendo chegado procedente de Castellon e saído com destino a Dover